sexta-feira, setembro 24, 2010

Permites-me o tu?


franqueias para mim
a etapa mais dificil
a derradeira compreensão?
não me refiro à antinomia
bem sabes
nem ao impulso extremo
ou fracasso definitivo
de uma atitude estóica
na consagração do instante último
não tenho pressa
só quero agora que me permitas
o tu!
e a maneira que me sinto
mais próxima de ti
sou tua filha
não sou?
poema/imagem: Sandra Falcone

quinta-feira, agosto 12, 2010

Desejo

este desejo brutal
despir as palavras
dos meus significados e significantes
e não mais sob a chibata
da minha obecessão e impotência
em transforma-las nas minhas verdades

deixa-las livres
à margem desta folha de papel branca
que me olha traiçoeira
lisa como um lago
à espera do seu afogado

e assim nus
pecadoras ou inocentes
abraçando os opostos
encontrem
finalmente
vida e morte num só dizer...

domingo, junho 06, 2010

A escolha

Sentou-se na areia olhando o mar. Essa relação com o mar já era tão conhecida! Fazia frio naquela hora, já quase noite. Rindo intimamente pensou: agora se eu entrar no mar, como antes, vou morrer de pneumonia. Lembrou-se de quantas vezes tinha sentido as ondas frias batendo no seu corpo. Que profunda saudade da sua juventude! A delicia de se entregar a ele na escuridão, numa solidão só dos dois. Ficou ali, esperando que o mar, como um amante, viesse acariciar seus pés, como a dizer: estou aqui!

Deixou-se levar pelas lembranças. Quantos estados de alma o mesmo mar presenciara? Perdera a conta. Quantos como este agora? Considerando o tempo e a experiência vivida: nenhum! Por isso estava ali! Talvez, ouvindo o marulhar inconstante, pudesse compreender a sua própria inconstância de mulher!

Fechou os olhos e a imagem dele mergulhou na sua mente. Tudo era adverso, a idade, o temperamento, a posição social. Até mesmo fisicamente. No entanto, ao estar ao lado dele tudo desaparecia! Química física? Não, sabia que não! Era mais muito mais do que físico, era transcendental, ultrapassava a compreensão humana. Amor? Pasma perguntava-se: se é amor o que era o que chamei de amor antes? Se não é amor, o quê é este sentimento de completude que me toma por inteira, independente da presença dele? Como explicar esse estar dele em mim?

Com os dedos escreveu o nome dele na areia! O que faço? Aflita levantou-se e foi até o mar que chegou manso aos seus pés. O que faço? E a dor que vou provocar? Como resistir a este apelo do corpo, da alma?

O rosto incrivelmente bondoso do marido chegou com a brisa. Imaginou o seu olhar diante da sua confissão! Quem e o quê sacrificar? Ternura, compreensão, carinho? Ou este sentimento pleno?

Voltou a escrever o nome dele na areia e apagou, como se pudesse apagar o que sentia. Uma, duas, dezenas de vezes, escrevendo e apagando, como numa cerimônia de magia. Levantou-se, andou mais um pouco. Abaixou-se e, mais uma vêz escreveu o nome dele. Raiva! Desespero!

Já na calçada limpou os pés e calçou os sapatos. Foi embora, devagar, despedindo-se da mulher que ficou submersa no imenso mar às suas costas. O mar soltou uma única onda que avançou solitdária a pela areia e, numa leve reverência, lambeu aquele nome.

Depois na areia apenas os vestígios da grafia contavam daquela presença que, aos poucos, o vento indiferente desmanchava.

texto e imagem :Sandra Falcone

domingo, maio 30, 2010

Não sabes





















Quanto me custa
não te dizer:
descubra-me
aquieta no silêncio dos teus dedos
meus cansaços
nos teus braços o meu corpo solitário
no teu beijo todas as mulheres que amaste
não sabes quanto me custa
nâo te dizer:
sinta-me assim como a tua mulher primeira
que embriaga as madrugadas
e se desmancha
nas marés e luas cheias
em sonhos de prazer
nâo sabes quanto me custa
nâo te dizer
ficar às portas do quase
inquieta
sem lugar algum
mulher/fêmea
imagem e poema: Sandra Falcone

terça-feira, abril 06, 2010

poema dedicado ao Luiz





foram quantos os sonhos que reinventastes?

quantas as vezes que em ti mesmo renacestes ?

contempla o pôr do sol da tua história

que a brisa virá

num perfume agri-doce

e afagará as marcas da tua memória

e

uma vez mais renascerás !


poema de Sandra Falcone



Sandra Falcone