O aviltamento da palavra? Ou a constatação de que a palavra é multifacetada? Mas o que importava agora? Sabia-se parte do rol das outras Marias virtuais. Dividiam o mesmo espaço, na mesma tela plana e branca, dele. Quem sabe algo diferenciado na fonte: times new romam? tunga?verdana?lucida sans?garamondo? Ou talvez uma outra formatação justificada? No preto, no azul, no bordô?
Minimizou o Outlook Express por alguns instantes. Foi até o MSN dele, clicou no perfil e mais uma vez leu todas as mensagens - suas e das outras Marias. A vontade de dizer... olha li, sei... desmascarar ? pra quê? de alguma forma era uma espécie de vingança, ler as palavras padrão dele. Será que ele acreditava mesmo na segurança da virtualidade, na pseudo-privacidade? Assim seja! Amem!
O cd ao seu lado, os metais, as cordas... A flauta doce. A 9ª. Sinfonia... Inacabada?
Foi até o site de poemas românticos... Escolheu um, copiou, abriu novamente o Outlook Express, clicou em responder e colou, com um beijo.
Tomou um café, foi até o seu MSN. Deletou todos as mensagens dos seus Josés! desligou o computador... antes de sair apagou as luzes da sala, com dedos de monotonia.
Já na rua apenas o vento açoitando seu rosto, indiferente!
imgem e texto: Sandra Falcone