quinta-feira, agosto 12, 2010
Desejo
despir as palavras
dos meus significados e significantes
e não mais sob a chibata
da minha obecessão e impotência
em transforma-las nas minhas verdades
deixa-las livres
à margem desta folha de papel branca
que me olha traiçoeira
lisa como um lago
à espera do seu afogado
e assim nus
pecadoras ou inocentes
abraçando os opostos
encontrem
finalmente
vida e morte num só dizer...
domingo, junho 06, 2010
A escolha

Sentou-se na areia olhando o mar. Essa relação com o mar já era tão conhecida! Fazia frio naquela hora, já quase noite. Rindo intimamente pensou: agora se eu entrar no mar, como antes, vou morrer de pneumonia. Lembrou-se de quantas vezes tinha sentido as ondas frias batendo no seu corpo. Que profunda saudade da sua juventude! A delicia de se entregar a ele na escuridão, numa solidão só dos dois. Ficou ali, esperando que o mar, como um amante, viesse acariciar seus pés, como a dizer: estou aqui!
Deixou-se levar pelas lembranças. Quantos estados de alma o mesmo mar presenciara? Perdera a conta. Quantos como este agora? Considerando o tempo e a experiência vivida: nenhum! Por isso estava ali! Talvez, ouvindo o marulhar inconstante, pudesse compreender a sua própria inconstância de mulher!
Fechou os olhos e a imagem dele mergulhou na sua mente. Tudo era adverso, a idade, o temperamento, a posição social. Até mesmo fisicamente. No entanto, ao estar ao lado dele tudo desaparecia! Química física? Não, sabia que não! Era mais muito mais do que físico, era transcendental, ultrapassava a compreensão humana. Amor? Pasma perguntava-se: se é amor o que era o que chamei de amor antes? Se não é amor, o quê é este sentimento de completude que me toma por inteira, independente da presença dele? Como explicar esse estar dele em mim?
Com os dedos escreveu o nome dele na areia! O que faço? Aflita levantou-se e foi até o mar que chegou manso aos seus pés. O que faço? E a dor que vou provocar? Como resistir a este apelo do corpo, da alma?
O rosto incrivelmente bondoso do marido chegou com a brisa. Imaginou o seu olhar diante da sua confissão! Quem e o quê sacrificar? Ternura, compreensão, carinho? Ou este sentimento pleno?
Voltou a escrever o nome dele na areia e apagou, como se pudesse apagar o que sentia. Uma, duas, dezenas de vezes, escrevendo e apagando, como numa cerimônia de magia. Levantou-se, andou mais um pouco. Abaixou-se e, mais uma vêz escreveu o nome dele. Raiva! Desespero!
Já na calçada limpou os pés e calçou os sapatos. Foi embora, devagar, despedindo-se da mulher que ficou submersa no imenso mar às suas costas. O mar soltou uma única onda que avançou solitdária a pela areia e, numa leve reverência, lambeu aquele nome.
Depois na areia apenas os vestígios da grafia contavam daquela presença que, aos poucos, o vento indiferente desmanchava.
texto e imagem :Sandra Falcone
domingo, maio 30, 2010
Não sabes

terça-feira, abril 06, 2010
poema dedicado ao Luiz
segunda-feira, março 15, 2010
azulã

_porque permaneces aqui?as portas estão abertas, não percebes, podes voar !
A azulã orvalhando em sorrisos a gaiola dourada respondeu:
_sei que posso voar, mas se eu voar quem me dirá ,quando a manhã pousar no rosto das trevas e lentamente as grandes portas da madrugada deixarem entrar o amanhecer? Bom dia D. Sara, passe um bom dia na sua gaiola dourada?
domingo, novembro 08, 2009
poema da loucura
sexta-feira, novembro 06, 2009
O "az" !
Todo o seu sonho sempre se resumira: um lar, filhos e um bom homem ao seu lado, honesto, trabalhador e, fundamentalmente, provedor. O mais era periférico: dinheiro, viagens, etc. etc..No entanto, aos 50 anos, tinha, exclusivamente, os periféricos. Mulher de muitos amores, no entanto, todos abortados pelos periféricos. Não mais de uma vez ouvira: essa Luiza é muita areia pro meu caminhão. Apesar dos pesares não desistia. Quantas e quantas vezes não percebia, no olhar da amiga, da prima e da irmã, a inveja pelos seus periféricos? Quantas e quantas outras vezes não tinha vontade de gritar : tudo o que quero é um vida igual a vocês.Um dia ele chegou. Um homem de fala mansa, hábitos simples, aposentado, um pouco caído para a idade. Superou todas as diferenças que dia a dia se acentuavam, especialmente na cama. Na verdade ele era uma lástima, de 0 a 10, no máximo: 0,05. Mas fez com que ele sempre achasse que era 10. Convencido e maravilhado da sua capacidade recém descoberta (um az na cama) trocou-a pela primeira jovem de 25 que encontrou. Evidentemente a jovem deu a nota certa. Separam-se. Atualmente é um assíduo freqüentador de centros espíritas de toda a natureza. Esta tentando desenvolver-se. `As sextas-feiras, invariavelmente, mata um galo preto e larga nas encruzilhadas da periferia. Para os amigos mais íntimos, inconformado, confidencia: nunca acreditei em macumba, mas, depois que deixei Luiza, foi preciso. Mulher trocada é um perigo. Fez um trabalho pesado contra mim, podem acreditar, não consigo mais me ajustar com nenhuma mulher.